Urtigas (5-12-2004)
aconteceu. e agora como os pregos. mastigo as urtigas que fazem comichão enquanto cantas canções de embalar. aceno apaticamente na tentativa de não dar a entender a mágoa de ter dado tudo de mim. de te ter permitido veres o meu espectro. estava escrito e assim foi. e irrito-me com ver-te. irrito-me com não te ver. irrito-me. irrito-me com o irritar-me. mas achas q eu sou culpada por sentir? culpas-me de ter havido algo entre nós. culpas-me de termos sido amigas? isso é demasiadamente fácil. dói a indiferença, apesar de não querer que me voltes a pegar. mas dói a diferenciação. a distância dói, por isso quero que saias do meu caminho. quero que desapareças para ver se deixo de escrever sobre ti. sabes que nao o consigo sozinha. sabe-lo bem; demasiadamente bem, ironicamente porque fui eu que o permiti. nao demores o tempo que for, tu não o tens. eu não tenho tempo. mesmo nenhum para perder a pensar nesta tontaria. neste estúpido acaso. não tenho tempo para pensar na vida, tenho-o demasiado ocupado a vivê-la. mesmo que não faça nada de realmente importante. não que eu seja proveitosa. por conseguinte, também não me parece que tu o sejas. eu não sei se gosto muito de mim, ainda não aprendi a fazê-lo. era bom ter auto-estima. tu já a tens? aparentas gostar de ti e da vida que levas. como conseguiste? em tão pouco tempo, tornaste-te super sociável. ou então pintaste-me um quadro e representaste uma peça de fantoches, e eu imbecilmente engoli e interpretei da maneira que quiseste moldar-me. sou um pedaço de plasticina rançosa de cor indefinida. sou uma renegada do funk que renegou ao funk. a retórica é uma arte de persuasão. tu és um orador ranhoso parcialmente oco num antro de perdição. eu sou um discípulo penetrável e débil. eu FUI um discípulo penetrável e débil. eu sou aquilo que já não consegues controlar ou agarrar. portanto nem tentas, desprezas. ó minnie.

1 Comentários:
sofia
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