sexta-feira, julho 01, 2005

É tempo de Nascer

Eu sei
Eu quis demais
E o sonho nada traz
Sonhar seduz a paz
Eu sei
Eu vi
Em meu crescer
Que eu vou sempre dar a mim

Imploro a luz e sigo sempre à sombra
Imploro a morte e volto à luz

Alguém pensou em mim à boca da varanda
Eu não senti que houvesse alguma razão para amar
Imploro a queda como quem não quer saber

É tempo de nascer devagar
Não quero ver o fim chegar sem eu nascer devagar
Eu não quero ver o fim sem eu nascer

Quando eu sonho eu levo a minha força até ao fim
E quando o sonho acaba cego
Eu olho fundo para mim
E não vejo nada além da tão real ausência de outra luz
E só por ela volto à cruz
À minha cruz

Eu vi meu pai nascer na mesma cama de outros homens
E hoje eu sei
Eu aprendi
Já nada importa agora à luz
Do trago de onde vim.
Se há luz lá fora eu quero que haja luz em mim

É tempo de nascer devagar
Não quero ver o fim chegar
Sem eu nascer devagar
Eu não quero ver o fim sem eu nascer

Vem ver
Quem vi nascer
É filho de outra guerra
No trilho de outra paz
Alguém entrou em mim
Entrego a minha espada

Eu não senti que houvesse alguma razão para amar
Imploro a queda como quem não quer saber

É tempo de nascer devagar
Não quero ver o fim chegar sem eu nascer devagar
Eu não quero ver o fim sem eu nascer

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