perspectiva de futuro
não, não vou permitir que isto aconteça aos meus filhos. recriminam-me. não quero sequer imaginar ter filhos. não só pelos meus sentimentos de repulsa face a criancinhas a berrarem, ranhosas e com fraldas constantemente cagadas; isso talvez até com o tempo. uma pessoa habitua-se a tudo, e é mesmo assim. é mais pela angústia de mostrar este mundo e de pôr cá alguém para sobreviver esta angústia. porque no fim, morremos todos.
as pessoas passam por nós como se fossem fantasmas, ao nosso lado no metro ou do outro lado da rua, a fornecer-nos o vício ou a pedir licença. muito passageiro e fugaz. há aqueles que se aproximam, e eu deixo. mas porquê, caralho, porque é que teimam em desaparacer? é preciso gostar mesmo muito de alguém para fazer com que nunca mais ouse lembrar-se de mim. deixo marcas assim tão más... deixam-me cicatrizes que doem.
não, eu não quero fazer mais ninguém sofrer. e é por isso que eu não quero ter filhos.
agora compreende-me, não vou respeitar essa tua vontade de eu ter o dever de continuar a humanidade, muito menos o nome de família... porque acabar-se-há por perder, indiscutivelmente.
continuar a humanidade. que humanidade?
somos máquinas criadas para consumir, gastar oxigénio, estragar o planeta. e pagamos por isso. não que se importem, bem vejo. we are all a little naive.

1 Comentários:
há pessoas de vários tipos. há as fantasmas como disseste. essas não interessam. há as que parece que desaparecem mas na realidade continuam ali e se precisas elas tão lá. é verdade que tudo acaba da mesma maneira, com a morte. mas o objectivo é viver o melhor possivel e aproveitar. eu não sei se vou ter filhos ou não mas gostava. apesar de os expormos a este mundo podemos mostrar que somos diferentes dele.
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